Utilizadores de telemóvel adoram a sua pornografia | 02Nov2009 16:35:50

A pornografia virou “móvel”. Esta é uma conclusão de um estudo feito por Maryam Kamvar e Shumeet Baluja, professores de ciência computacional também ligados ao Google. A dupla analisou um exemplo aleatório de um milhão de pedidos de visualização de páginas a partir de telemóveis e PDAs no ano passado, esperando compreender melhor o comportamento dos utilizadores de busca sem fios. O que descobriram foi que os utilizadores sem fios gostam mesmo, mesmo de pornografia.
Um novo estudo de dois investigadores da Google mostra que os utilizadores de telemóvel procuram pornografia acima de tudo. Utilizadores de PDA, no entanto, realmente gostam de “serviços locais”. Porquê a diferença?
Menos de 10 por cento de todas as pesquisas feitas em PCs hoje em dia são caça à pornografia, um número que caiu 50 por cento desde 1997. À medida que a rede amadureceu e mais consumidores ficaram ligados, a percentagem de procura de pornografia caiu de uma forma consistente. Nos telemóveis, no entanto, os utilizadores continuam na festa, como se fosse 1997- mais de 20 por cento de todas as procuras nos telemóveis, analisadas no estudo, foram de conteúdos “para adultos”.
Isto é contra-intuitivo de várias maneiras. Em primeiro lugar porque fazer buscas por conteúdos em telemóveis pode ser caro, especialmente quando comparado com PCs, aparelho que a maioria dos utilizadores de telemóvel tem de qualquer forma. Em segundo há a questão do écran. Quem é que quer ver clips de video num telemóvel quando podia simplesmente chegar-se ao computador e vê-los num écran de 21’’? Aparentemente, no entanto, o custo e a qualidade são prontamente batidos pela grande vantagem dos telemóveis – privacidade. Do estudo:
“Nós especulamos que as pessoas podem sentir-se mais confortáveis ao fazerem buscas de conteúdos para adultos em aparelhos privados. Anedóticamente, nós reparamos que muitas vezes os utilizadores consideram o seu telemóvel um dispositivo muito pessoal e privado; talvez mais ainda que o seu computador – a probabilidade de outros descobrirem o seu comportamento de buscas (através de páginas em “cache”, preenchimento automático de formulários ou URLs) é menor.”
Dado que os adolescentes são uma das mais largas faixas de utilizadores de telemóveis isto não é surpreendente. É obviamente perigoso utilizar o PC da família, por isso um adolescente com telemóvel pode achar que essa é a forma mais segura de fazer um pouco de busca “privada”, mesmo que a qualidade deixe muito a desejar. Os rapazes adolescentes são lendários pelos incómodos que passam na sua busca por material lascivo. No passado era a colecção de revistas do tio José, depois os canais codificados da Cinemax, portanto o qual o problema de um écran de três polegadas quando és jovem e precisas de uma dose carnal?
Uma das descobertas mais intrigantes do estudo diz respeito à relativa virtude dos utilizadores de PDAs. Enquanto que 20 por cento das buscas em telemóveis são de material para adultos, somente 5 por cento das procuras em PDA são para pornografia. Apesar do seu écran maior, aparentemente os PDAs não são plataformas móveis para pornografia. Os autores atribuem isto aos “casos de utilização vocacionada para negócios destes aparelhos” e à “potencial diferença demográfica dos utilizadores” (leia-se: poucos rapazes de 17 anos têm um PDA).
A pornografia móvel pode em breve valer muito dinheiro, e todos os principais fornecedores de conteúdos estão a ver como ganhar mais dinheiro agora que a viabilidade do “streaming” de vídeo [técnica de compressão e armazenagem] chegou aos telemóveis. No entanto, o negócio tem os seus cépticos que não acreditam que a pornografia se ajuste verdadeiramente aos écrans ultra-pequenos. Bengt Nordstrom, um Vice-presidente da “inCode Wireless”, disse à “Wireless Asia”:
“Há muita expectativa em relação ao assunto, mas não é provável que seja uma fonte de receitas assim tão grande. Se for ao expositor de revistas de uma livraria encontrará uma certa prateleira com revistas para adultos, mas será apenas uma pequena percentagem de todas as revistas que estão à venda. Será o mesmo com o conteúdo para telemóveis. É difícil de acreditar que seja algo imprescindível para os operadores.”
Mas quer venha a ser imprescindível ou não, a pornografia provavelmente veio para ficar, nos telemóveis. Se antes pensava que usar um telemóvel enquanto conduzia era perigoso, fique atento. É apenas uma questão de tempo até ver as primeiras noticias sobre o/a (homem de negócios/adolescente/mãe suburbana) que atingiu (um cão/o seu carro/uns gémeos) porque estava pasmado a olhar para (modelos de fato-de–banho/Brad Pitt/dois anões e uma ruiva) no pequeno écran.
Notícia original: 17 Abr 2006, Nate Anderson









