O livro devastador que desmascara as alterações climáticas | 04Fev2010 19:24:33

Imagine só se descobríssemos que estávamos prestes a arcar com a maior factura da história mundial, baseado apenas nas afirmações de um grupo de cientistas. Não iríamos querer ter a certeza absoluta de que esses cientistas fossem 100% dignos de confiança naquilo que estavam a dizer?
Não deveríamos então ficar extremamente preocupados – e até mesmo muito zangados – se viesse ao de cima que esses cientistas tinham andado a conspirar entre eles para alterar os dados, de modo a corresponderem ao que nos tinham vindo a dizer?
É nesta extraordinária posição que nos encontramos, graças às notícias relatadas no Daily Mail de Sábado, o que levantou sérias interrogações quanto à fiabilidade da ciência por detrás da teoria do aquecimento global.

Uma fotografia de ursos polares no gelo em derretimento do Círculo Árctico,
usada por Al Gore, no seu livro An Inconvenient Truth on Global Warming
(na versão portuguesa, “Uma Verdade Inconveniente”).
A vinda a público de centenas de e-mails oriundos do sistema informático interno da Unidade de Investigação Climática, na Universidade de East Anglia, mostram como um pequeno grupo de cientistas seniores britânicos e norte-americanos extremamente influentes têm, desde há vários anos, andado a estudar secretamente formas de manipular as suas provas, de forma a tornar a ameaça colocada pelo aquecimento global muito pior do que realmente é.
Para pôr o significado destas relevações em contexto, lembremo-nos como há precisamente um ano, o Parlamento aprovou, praticamente sem oposição, aquilo que era de longe a nova lei posta a aprovação mais dispendiosa de sempre. Segundo números do Governo, a Climate Change Act (lei sobre as alterações climáticas), irá custar à Grâ-Bretanha 18 mil milhões de libras por ano – o equivalente a 720 libras por cada família no país – todos os anos desde agora até 2050.
Iremos pagar estes valores através da subida disparada das ‘taxas ecológicas’ aplicadas em tudo, desde viagens de avião até á taxa de 3.300 libras que está a ser proposta para a compra de cada carro novo; através de facturas energéticas subindo em flecha para subsidiar milhares de novas turbinas eólicas, e para pagar a remoção de dióxido de carbono das centrais eléctricas alimentadas a carvão.
Na verdade, o custo real da lei, se levada à letra, seria certamente muito mais elevado, porque aquilo que determina é que, durante os próximos 40 anos, teremos de reduzir as nossas emissões de dióxido de carbono em mais de 80%.
Quase todos os aspectos da nossa vida na sociedade industrializada de hoje implicam a emissão de dióxido de carbono – e na falta de uma revolução tecnológica por enquanto ainda fora da nossa imaginação, a única forma de atingir esse objectivo seria encerrar quase todos os sectores da nossa economia. No entanto, surpreendentemente, quase nenhum único membro do Parlamento questionou sequer a necessidade de tal lei; apenas três votaram contra.
Publiquei recentemente um livro sobre aquilo que não tenho qualquer hesitação em considerar a história mais alarmante que alguma vez relatei em todos os meus anos de jornalista.

Emissões a partir da Central Eléctrica de Drax, próxima de Selby, no Yorkshire –
a lei sobre as alterações climáticas irá custar ao Reino Unido 18 mil milhões de libras por ano.
Trata-se da história de como a crença de que o mundo tem que lutar contra a ameaça do aquecimento global se arrastou silenciosamente para o topo da agenda política, até ao ponto em que, não só na Grã-Bretanha mas em todo o mundo, os governos estão solenemente a discutir a série de medidas mais dispendiosas que, de longe, alguma vez foram propostas por um grupo de políticos.
É isto que todos eles irão discutir na importante conferência das Nações Unidas, no próximo mês, quando 20 000 políticos, representantes, cientistas e activistas ambientais de todo o mundo se reunirem em Copenhaga, para discutir um novo tratado e decidir quais as medidas que todos nós teremos de aceitar para manter à distância a suposta ameaça do aquecimento global.
Todos conhecemos a tese fundamental: que graças à queima de combustíveis fosseis por parte do homem, as temperaturas do mundo estão em ascensão veloz, e que a não ser que sejam tomadas as medidas mais drásticas, podemos antever uma catástrofe global sem precedentes – secas, furacões, vagas de calor mortíferas, derretimento das calotas glaciares, aumento do nível do mar até ao ponto em que muitas das principais cidades do mundo ficarão submersas.
Tudo isto foi o que foi previsto pelos dispendiosos modelos informáticos, nos quais se apoia o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas (IPCC) nos quais os políticos dizem que devemos confiar como derradeira fonte de autoridade sobre o futuro do clima mundial.
Ouvimos constantemente a expressão “a ciência está assente”, que “ 2.500 dos maiores climatologistas mundiais” concordam que estas previsões aterrorizadoras se tornarão todas realidade, a não ser que se tomem as medidas mais drásticas. Tão arrebatados estão todos com esta crença que não existe quase nenhum político que ouse pô-la em questão.
Porém, o mais estranho, e que se tornou cada vez mais evidente nos últimos dois anos, é o facto de quase nenhuma destas situações estar a acontecer e, certamente, não da forma prevista por aqueles modelos informáticos. Apesar dos níveis de dióxido de carbono terem continuado a aumentar, as temperaturas não têm subido da forma que todos os modelos informáticos concordavam que iria acontecer.

Os densos campos de gelo do Monte Kilimanjaro,
que estão rapidamente a ficar menos espessos à medida que
as temperaturas sobem, de acordo com os cientistas.
Na última década, a tendência global das temperaturas não tem aumentado, mas sim diminuído.
As provas concretas mostram-nos que, na realidade, as grandes secas, furacões e vagas de calor, foram menores nos últimos anos do que em décadas anteriores.
Não há menos gelo hoje nos pólos terrestres do que havia há 30 anos. Os níveis do mar podem ter estado a subir muito lentamente, mas não mais rápido do que o têm feito nos últimos 200 anos.
Por outras palavras, como um exército crescente de especialistas genuínos de todo o mundo nos tem tentado dizer, não existe um único item na lista de previsões apocalípticas de que temos sido alimentados durante tanto tempo pelo IPCC e por pessoas tipo Al Gore que não esteja a ser posto em causa pelo que realmente está a acontecer a nível climático mundial.
Os cientistas que têm andado a desafiar quase todos os aspectos da teoria oficial sobre o aquecimento global, vão desde físicos de renome mundial, tal como o professor Richard Lindzen, do Instituto de Tecnologia do Massachusetts, e os professores Will Happer e Freeman Dyson, da Universidade de Princeton, até 700 cientistas de várias áreas.
Entre estes, figuram Prémios Nobel e anteriores colaboradores do IPCC, que assinaram um “relatório minoritário” da comissão para o ambiente, do Senado norte-americano.

A redução das emissões de carbono dos aviões é uma das muitas alterações legislativas
que os governos estão a implementar de modo a evitar um aumento do aquecimento global.
Parece que o pânico relativamente ao aquecimento global, que se apossou dos nossos políticos de uma forma tão marcada, pode não ter sido mais do que uma colossal história de assustar – a juntar a todas as outras histórias que têm aparecido e desaparecido nas primeiras páginas em décadas recentes, tais como o “bug do Milénio” que à meia-noite de 31 de Dezembro de 1999 iria avariar os computadores em todo o mundo.
Portanto, a verdadeira questão que se coloca perante o mais aterrorizador de todos os cenários de assustar é a seguinte: por que é que os políticos do mundo se deixaram levar por ele?
Uma das características mais suspeitas da teoria sobre o aquecimento global provocado pelo homem é precisamente esta pressão extraordinária, que tem sido criada, insistindo que a evidência é tão avassaladora que questioná-la é um crime moral.
Durante vários anos, quem ousasse duvidar da teoria –nomeadamente alguns dos mais distintos climatólogos do mundo – foi difamado como “negador”, a ser equiparado àqueles que tentam negar a realidade histórica do Holocausto de Hitler.
Al Gore foi um dos primeiros a condenar como “flat earthers” (denominação dada aqueles que em pleno século XXI, ainda acreditam que a Terra é plana) todos aqueles que se mostrassem cépticos quanto ao seu fervor alarmista descontrolado, comparando essas pessoas aos excêntricos que acreditam que as aterragens na Lua foram todas de alguma forma “forjadas num recinto cinematográfico no Arizona” (deliciosamente, entre os cientistas que surgiram como “cépticos climáticos”, encontram-se dois dos astronautas norte-americanos que de facto aterraram na Lua, o Dr. Buzz Aldrin e o Dr. Jack Schmitt).
No mundo científico, particularmente nos Estados Unidos e na Europa, já há muito que tem sido um grande escândalo que aqueles que ousam duvidar da ortodoxia oficial sobre o aquecimento global enfrentam o ostracismo por parte dos seus colegas académicos, viram os fundos para investigação terem sido retirados e não têm obtido autorização para a publicar os seus trabalhos nos principais jornais científicos.

Uma camada de nevoeiro é visível sobre Paris – os cientistas que apoiam as teorias
sobre as alterações climáticas, afirmam que é uma das principais
causas do aumento das temperaturas globais.
Mas igualmente suspeito tem sido a forma como os defensores da ortodoxia do aquecimento têm sido repetidamente descobertos a ludibriar as provas científicas usadas para o promover.
O exemplo mais notório desta situação foi o chamado gráfico “taco de hóquei”, que durante anos foi exibido para mostrar que, após se manterem numa linha horizontal durante 1.000 anos, as temperaturas globais de repente subiram vertiginosamente no final do século XX, para níveis nunca antes vistos na história (desde que há registos).
O taco de hóquei foi usado pelo IPCC e por Gore como o ícone supremo da sua causa. Foi então que dois peritos em estatística revelaram que o gráfico tinha sido criado por um modelo informático programado para produzir configurações tipo tacos de hóquei, qualquer que fosse a informação inserida.
E agora temos os emails trazidos a público demonstrando que os mesmos cientistas responsáveis pela defesa do taco de hóquei – tudo no coração da instituição do IPCC – têm tido discussões regulares sobre de que forma as provas podem ser manipuladas para promover a sua causa.
O maior mito de todos nesta história é a reivindicação de que a sucessão de relatórios alarmistas, produzidos pelo IPCC representa um “consenso” das opiniões de “2 500 dos climatologistas de maior renome mundial”.
Em todos os aspectos, isto é extremamente enganador.
A vasta maioria das pessoas que contribuíram para esses relatórios do IPCC não são climatologistas. Muitos nem sequer são cientistas, mas sim economistas ou sociólogos – até mesmo activistas ambientais sem qualquer tipo de qualificação científica.
Nunca se pretendeu que o IPCC fosse um organismo imparcial, que pesasse as provas contra e a favor do aquecimento global provocado pelo homem, e que apresentasse conclusões objectivas.
Foi estabelecido por um pequeno grupo de cientistas, já tão firmemente empenhados na convicção das “alterações climáticas induzidas pelo homem”, que não estavam preparados para examinar nenhuma prova em contrário.
Um estudo pormenorizado das pessoas que contribuíram para o relatório mais recente do IPCC, mostrou que o número de cientistas responsável pelo capítulo chave sobre a dimensão e causas do aquecimento global – e do qual dependia tudo o resto no relatório – era, não de 2 500, mas de apenas 50 cientistas.
Quase todos os cientistas deste pequeno grupo, estavam firmemente empenhados na visão oficial sobre o aquecimento global antes de serem nomeados – e neles estão incluídos aqueles cujos e-mails vindos a público criaram agora uma onda de choque que percorre todo o mundo.
Notavelmente, o que também têm em comum é que as suas descobertas são baseadas em modelos informáticos, programados para assumir que a causa principal do aquecimento global é o aumento dos gases do efeito estufa tais como o dióxido de carbono.
É precisamente esta suposição que, mais do que qualquer outra, tem sido posta em causa pelo facto de as temperaturas globais não terem continuado a subir, tal como os modelos informáticos insistiam que iria acontecer.
Mesmo alguns dos defensores científicos mais empenhados na teoria do aquecimento global admitem agora que o processo de aquecimento sofreu uma paragem– insistem , no entanto, que dentro de uma ou duas décadas irá reaparecer mais forte do que nunca.
O facto mantém-se, de que os modelos sobre os quais se baseou todo o pânico do aquecimento global, se mostraram ser tenebrosamente errados, sugerindo que a teoria que serviu de base para a sua programação pode, ela própria, ser fundamentalmente deficiente.
Contudo, com base nela, os políticos mundiais, liderados pelos nossos próprios representantes da Grã-Bretanha, estão, apesar disso, a propor as medidas mais prejudiciais alguma vez apresentadas em toda a história - reduções nas emissões de carbono que, a serem implementadas, iriam mergulhar o nosso mundo de volta à Idade das Trevas – como resposta a uma crise que, parece agora, nunca iiria acontecer.
Antes que seja tarde demais, devemos insistir que os nossos políticos reexaminem o cada vez mais duvidoso argumento científico sobre o qual todas estas propostas se baseiam.
Há já quase 20 anos, desde Al Gore até ao presidente Obama, que nos tem sido apregoado que “a ciência está assente”. Mas como sustentam cada vez mais cientistas do lado de fora do ‘círculo mágico’ auto-seleccionado pelo IPCC, nunca foi tão óbvio de que isto, simplesmente, não é verdade.
Ninguém o e descreveu esta situação melhor do que o professor Lindzen, um dos principais climatologistas do mundo, quando escreveu: “As gerações futuras
vão-se admirar com estupefacção que o mundo desenvolvido de inícios do século XXI tenha entrado em pânico histérico devido à subida de algumas décimas de grau na temperatura média global, e que tivesse contemplado um retrocesso na era industrial com base em exageros grosseiros de projecções informáticas muito pouco seguras,
Com o futuro inteiro da nossa civilização em causa, já não é suficiente que os nossos políticos chamem de “negadores” e “pessoas que acreditam na terra plana” a todos aqueles cientistas e peritos genuínos que agora lhes pedem para analisar a evidência de forma correcta. Eles têm que estar preparados para ouvir – e, para o bem do nosso planeta, pensarem de novo.
“The Real Global Warming Disaster: Is The Obsession With “Climate Change” Turning Out To Be The Most Costly Scientific Blunder In History?”
[O Verdadeiro Desastre do Aquecimento Global; Será que a Obsessão com a “Mudança Climática” se está a Tornar no Disparate Científico Mais Caro da História?”
Por Christopher Booker (Continuum, £16,99).
Notícia original: 2 Dez 2009, Christopher Booker
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