desfaço os sinais dos inventores de mentiras, e enlouqueço os adivinhos

10 coisas que precisa (mas não quer) saber acerca do derrame de petróleo da BP | 16Set2010 17:19:57

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Como é que o proprietário da plataforma petrolífera que explodiu ganhou 270 milhões de dólares com o desastre, assim como nove outros factos chocantes e deprimentes sobre o derrame de petróleo.
 
Já se passaram praticamente dois meses até hoje, 30 de Maio de 2010, desde que a plataforma petrolífera offshore da BP, Deepwater Horizon, explodiu no Golfo do México. Desde então, o crude tem estado a jorrar para as águas oceânicas e a provocar um caos desconhecido no nosso ecossistema - desconhecido porque não existe uma estimativa precisa de quantos barris de petróleo estão a contaminar o Golfo.

Embora a BP admita oficialmente a existência de apenas alguns milhares de barris derramados todos os dias, as estimativas dos especialistas apontam os danos em 60.000 barris, ou mais de 2,5 milhões de galões, por dia. (Talvez soubéssemos mais se a BP não tivesse impedido os engenheiros independentes de inspeccionar a fuga.) As medidas para estancar a torrente revelaram-se, quando muito, medíocres e contrariamente ao último grande derrame de petróleo no país – Exxon-Valdez em 1989 – o petróleo vem do solo, não de um petroleiro, portanto não fazemos ideia de quanto mais petróleo poderá continuar a poluir as águas do Golfo.

O desastre da Deepwater Horizon lembra-nos o que pode acontecer, e vai continuar a acontecer, quando a maleficência e a negligência das grandes empresas se alia à deficiência da regulamentação governamental.

As grandes empresas de comunicação social acompanham o desastre com artigos de primeira página e notícias de abertura dos noticiários da noite todos os dias (onde há sangue, ou derrame, há manchete!), mas os aspectos pouco relatados deste conto de pesadelo pintam um quadro arrepiante dos intervenientes e das acções por detrás da catástrofe. Sem obedecer a nenhuma ordem específica, seguem-se 10 pontos sobre o derrame da BP que poderá não saber e poderá não querer saber - mas que deveria saber.


1. O proprietário da plataforma petrolífera ganhou 270 milhões de dólares com a fuga de petróleo

A Transocean Ltd., proprietária da plataforma Deepwater Horizon alugada pela BP, tem andado longe do radar dos grandes meios de comunicação na troca geral de acusações de responsabilidade. Sendo a maior empresa mundial de exploração offshore, está convenientemente sediada na Suíça, país amigo das grandes corporações, e os desastres petrolíferos não lhe são estranhos. Em 1979, um poço petrolífero que estava a perfurar no mesmo Golfo do México incendiou-se, atirando a plataforma de perfuração para o mar e causando um dos maiores derrames de petróleo até à altura em que foi tapado... nove meses mais tarde.

Esta experiência influenciou sem dúvida a decisão da Transocean de segurar a plataforma Deepwater Horizon por cerca do dobro do que valia. Numa chamada de conferência para analistas no início deste mês, a Transocean comunicou que fizera um lucro de 270 milhões de dólares com os pagamentos dos seguros após o desastre. Não é difícil apostar no fracasso quando se sabe que está de certa forma incluído no seguro.

2. A BP tem um historial de segurança terrível

A BP possui um longo historial de desastres relacionados com o petróleo nos Estados Unidos. Em 2005, a refinaria da BP em Texas City explodiu, matando 15 trabalhadores e ferindo outros 170. No ano seguinte, verificou-se uma fuga de 200.000 galões de crude num dos seus oleodutos no Alasca. De acordo com a Public Citizen, a BP pagou 550 milhões de dólares em multas. A BP parece gostar particularmente de violar as Leis relativas ao ar limpo e à água limpa e pagou as duas maiores multas da história da Administração da Segurança e Saúde no Trabalho (OSHA). (Surpreende alguém que a BP tenha desempenhado um papel central, embora muito pouco divulgado, no fracasso para conter o derrame do Exxon-Valdez anos antes?)

Com a Deepwater Horizon, a BP não quebrou esta sua triste tendência. Além de escolher um revestimento mais barato - e menos seguro - para equipar o poço que eventualmente explodiu, a empresa optou por não equipar a Deepwater Horizon com um comando acústico ("acoustic trigger"), uma opção de última instância que podia ter encerrado o poço mesmo que estivesse gravemente danificado e que é exigida na maioria dos países desenvolvidos que permitem a exploração ao largo da costa. De facto, a BP emprega estes dispositivos nas suas plataformas localizadas próximo de Inglaterra, mas uma vez que os Estados Unidos recomendam mas não exigem a sua utilização, a BP não se sentiu incentivada a adquirir um, mesmo que custem apenas 500.000 dólares.

A SeizeBP.org estima que a BP faça 500.000 dólares em menos de oito minutos.


3. Os derrames de petróleo são apenas um custo de negócio para a BP


De acordo com o “Harte Research Institute for Gulf of Mexico Studies”, estão em risco cerca de 1,6 mil milhões de dólares de actividade económica e de serviços anuais em resultado do desastre da Deepwater Horizon. Comparemos este número, que não inclui os incomensuráveis danos ambientais, com o tecto actual de responsabilidade da BP pelos danos económicos como os salários perdidos e os dólares do turismo, que representam 75 milhões de dólares. E comparemos ainda com os lucros relativos ao primeiro trimestre que a BP revelou uma semana após a explosão: 6 mil milhões de dólares.

O presidente executivo da BP, Tony Hayward, prometeu solenemente que a empresa vai cobrir mais do que os 75 milhões de dólares exigidos. No dia 10 de Maio, a BP anunciou que já tinha gasto 350 milhões de dólares. Que fantástica generosidade por parte de uma empresa avaliada em 152,6 mil milhões de dólares e que faz 93 milhões de dólares por dia.

A realidade é que a BP não irá ser dissuadida pelo tecto de responsabilidade e lamentar os pagamentos feitos a um punhado de vítimas deste desastre porque eles se esbatem quando comparados com os seus lucros sinistros. Efectivamente, os derrames de petróleo são apenas um custo do negócio para a BP.

Isto está particularmente evidente num recente relatório de analistas do Citigroup preparado para os investidores da BP: "Reacção ao derrame de petróleo no Golfo do México é uma oportunidade de compra."


4. O Departamento do Interior foi, na melhor das hipóteses, negligente, e na pior das hipóteses, cúmplice


Não surpreende ninguém que a BP esteja sempre a olhar para os seus resultados, mas não deixa de ser no mínimo ainda mais surpreendente que o Departamento do Interior, o departamento executivo encarregado de regulamentar a indústria petrolífera, tenha feito um trabalho tão mau para evitar que isto acontecesse.

Há dez anos, já havia avisos de que os sistemas de segurança das plataformas de petróleo que falharam na Deepwater Horizon viriam a dar problemas. O Departamento do Interior emitiu um "alerta de segurança", mas depois deixou que fossem as empresas petrolíferas a decidir qual o tipo de sistema de segurança que iriam utilizar. E em 2007, uma autoridade reguladora do mesmo departamento desvalorizou as possibilidades e o impacto de um derrame como o que ocorreu no mês passado: "As explosões são eventos raros e de curta duração, não se prevendo que o impacto potencial na qualidade da água do mar seja significativo".

A secção da Louisiana do Departamento do Interior pode ter ficado particularmente confusa pois parece que andava a confraternizar intimamamente com a indústria petrolífera. O Minerals Management Service, a agência federal que fiscaliza a exploração ao largo da costa, aceitava regularmente ofertas das empresas petrolíferas e considerava-se mesmo como parte da indústria petrolífera, em vez de parte de uma agência reguladora do governo. Voar nos aviões privados dos executivos das petrolíferas não era coisa rara para os inspectores do MMS na Louisiana, afirma um relatório federal publicado na terça-feira. "Concursos de tiro aos pratos, viagens de caça e pesca, torneios de golfe, cozinhadas de lagostim do rio e festas de Natal" eram também vulgares.

Espanta alguém que o MMS concedesse à Deepwater Horizon uma exclusão regulamentar?

E tem pior. Desde 20 de Abril, quando a plataforma petrolífera Deepwater Horizon explodiu, o Departamento do Interior aprovou 27 novas autorizações para locais de exploração ao largo da costa. Eis a parte curiosa: duas destas autorizações são para a BP.

Mas ainda há mais: a 26 dos 27 novos locais de exploração foram concedidas isenções regulamentares, incluindo as emitidas à BP.


5. As perspectivas de limpeza são sombrias

Os media fazem muito barulho sobre os diferentes métodos que a BP está a utilizar para limpar o derrame de petróleo. As enormes cúpulas de contenção de aço eram populares há algumas semanas. Agora todos advogam o método "top kill", que envolve a injecção de lamas pesadas no poço danificado.

Mas a realidade é esta: Mesmo que a BP eventualmente encontre um método que funcione, os especialistas afirmam que o melhor cenário de limpeza aponta para a recuperação de 20 por cento do petróleo derramado. E sejamos realistas: apenas 8 por cento do crude depositado no oceano e nas costas do Alasca foi recuperado na limpeza do Exxon-Valdez.

Milhões de galões de petróleo manter-se-ão no oceano, devastando o ecossistema subaquático, e 150 quilómetros da costa da Louisiana nunca mais voltarão a ser iguais.


6. A BP não tem um verdadeiro plano de limpeza

Talvez por saber que a possibilidade de resolver a situação é praticamente impossível, a BP tornou acessível publicamente o seu ridículo "Plano de resposta ao derrame de petróleo" que, na realidade, não é plano nenhum.

O mais simbólico deste plano burlesco é a referência da BP à protecção da vida selvagem do Árctico, nomeadamente leões marinhos, lontras e morsas (talvez os executivos tenham aproveitado a linguagem do plano da Exxon para o seu derrame de petróleo ao largo da costa do Alasca?). O plano não inclui nenhumas medidas de prevenção de doenças, dados oceânicos ou meteorológicos e é constituído principalmente por números de telefone e formulários em branco. O mais importante é que não inclui nenhuma orientação sobre a forma de lidar com uma explosão em águas profundas como a que teve lugar no mês passado.

No total são 600 páginas, um desperdício de papel que só adiciona o insulto à injúria ambiental que a BP está a provocar ao mundo com a Deepwater Horizon.


7. Tanto a Transocean como a BP estão a tentar retirar aos sobreviventes o direito de recurso à justiça

A cada hora que passa, os danos económicos provocados pela Deepwater Horizon continuam a aumentar. E a BP sabe disso.

Portanto, enquanto mostra uma face simpática para o exterior, garantindo mesmo 500 milhões de dólares para avaliar os impactos do derrame, vai tentando assegurar que não será responsabilizada por esses mesmos impactos.

Imediatamente após a explosão da Deepwater, os empregados sobreviventes foram mantidos em isolamento, enquanto agentes da Transocean os faziam renunciar aos seus direitos de recurso à justiça. Em seguida, a BP fez o mesmo com os pescadores que contratou para ajudar a limpar o derrame, embora a empresa agora diga que se tratou apenas de uma confusão legal.

Se há algo a aprender com este desastre, é que as empresas como a BP não cometem erros às custas de outros. São extremamente deliberadas.


8. A BP aposta no risco para os empregados para poupar dinheiro - e não se importa se ficarem doentes

Quando a BP lançou a sua campanha de reformulação de marca/branqueamento verde, com o nome de "Beyond Petroleum", os anúncios vistosos mostravam os trabalhadores das plataformas petrolíferas todos sorridentes. Mas a verdade é que a BP coloca, consistente e intencionalmente, os seus empregados em risco.

Um documento interno da BP mostra que mesmo antes do desastre fatal anterior – a explosão de 2005 em Texas City que matou 15 trabalhadores e feriu 170 –  quando chegava a altura da BP escolher entre a economia de custos e uma maior segurança, optou pela maximização do lucro.

Um memorando da Gestão de Risco da BP mostrou que embora os reboques de aço fossem mais seguros no caso de uma explosão, a empresa optou por soluções menos dispendiosas que proporcionavam protecção mas não eram "resistentes às explosões". Na explosão de Texas City, todas as mortes e a maioria dos feridos ocorreram nestes reboques ou na sua proximidade.

Embora a BP tenha respondido a este memorando dizendo que a cultura da empresa mudou desde Texas City, 11 pessoas morreram na Deepwater Horizon quando esta explodiu. Será que foi enviado um memorando semelhante relativo à segurança e às medidas de redução de custos?

De acordo com relatos desta semana, os pescadores contratados pela BP para a limpeza do petróleo não receberam equipamento de protecção e agora estão doentes. Esperemos que não tenham assinado renúncias.


9. Os danos ambientais podem mesmo incluir uma catástrofe climatológica

É difícil saber onde começar a debater os danos ambientais causados pela Deepwater Horizon. Cada dia irá dar-nos uma imagem mais clara da destruição ecológica a curto prazo, mas os especialistas ambientais crêem que os danos no Golfo do México vão ser a longo prazo.

A curto prazo, os ambientalistas estão indignados com os dispersantes que estão a ser utilizados para limpar a mancha de petróleo no Golfo. Aparentemente, os tipos de dispersantes que a BP está a utilizar não são muito eficazes para dispersar o petróleo e são de toxicidade bastante elevada para a fauna marinha, como peixes e camarão. O receio é que aquilo que a BP possa estar a utilizar para limpar a sujidade possa, a longo prazo, torná-la ainda pior.

A um prazo mais alongado, há sinais de que a maior catástrofe da exploração petrolífera também possa vir a ser o pior desastre do gás natural e do clima. A explosão libertou tremendas quantidades de metano do fundo do oceano e a investigação mostra que o metano, quando misturado com o ar, é o mais potente (leia-se, terrível) gás com efeito de estufa - 26 vezes pior do que o dióxido de carbono.

O nosso planeta já estava a aquecer e agora acaba de ficar muito mais quente.


10. Ninguém sabe o que fazer e isto vai acontecer novamente

O pior acerca da calamidade da Deepwater Horizon é que ninguém sabe o que fazer. Não sabemos quão má ela realmente é porque não podemos medir o que se está a passar. Não sabemos como a parar e, depois de o fazermos, não sabemos como a limpar.

A BP lidera o processo de recuperação, mas considerando a sua folha de serviço, os seus esforços só irão até certo ponto - ao fim e ao cabo, tem um conselho de administração e accionistas perante os quais tem de responder. O governo dos EUA, a única outra entidade que poderia assumir o controlo, está actualmente contente em deixar a BP tentar resolver o problema. Porquê? Porque, provavelmente, também não tem nenhuma ideia sobre o que fazer.

A realidade da questão é a seguinte: enquanto a exploração ao largo da costa for legal, haverá derrames de petróleo. As costas serão dizimadas, os oceanos destruídos, as economias arruinadas, as vidas perdidas. As petrolíferas têm poucos ou nenhuns incentivos para impedir que tais desastres aconteçam e utilizam o seu dinheiro para comprar a integridade das autoridades reguladoras.

A Deepwater Horizon não é uma anomalia, é a norma.


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http://www.newworldorderreport.com/News/tabid/266/ID/3856/Exclusive-photos-of-the-BP-Oil-Spill-that-is-still-leaking-worlds-largest-environmental-disaster-to-date.aspx




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Comentários

Por: vpMAGCZojDRfLjjCV | 26Mar2012 03:44:18

You've imrpseesd us all with that posting!

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