desfaço os sinais dos inventores de mentiras, e enlouqueço os adivinhos

The Remnant Forum: GUERRA CIVIL: uma Igreja em crise | 29Dez2014 20:02:09

 


O Cardeal Burke é banido!
Sua Eminência! Como alguém que tem acompanhado o que Sua Em. tem feito para apoiar a missa em latim nos EUA. Muito agradecido! Por favor continue o bom trabalho! Deus o abençoe!

(Michael Matt) Olá de novo, senhoras e senhores, sou Michael Matt para o Remnant Forum.

Bem, os ataques não param. Jornalistas dos principais meios de comunicação estão agora a usar palavras como “guerra civil” a respeito do que está a acontecer neste 2º ano do pontificado do Papa Francisco.

Muita coisa está a acontecer rapidamente, Chris Ferrara, porque não começamos com esta ideia de guerra civil? O que acha? Será que estamos a caminho duma guerra civil na Igreja Católica?

(Chris) Não sei porque estou aqui a rir porque há muita verdade nessa observação. Quando uma pessoa como Damian Thompson escreve um artigo com o título “Tenha cuidado Papa Francisco: a guerra civil católica já começou”, sabe, essa alegação tem algo que se lhe diga. O subtítulo afirma: “Incerteza sobre a quantidade de reforma que o Papa quer está a dividir a Igreja em facções”. Penso que ninguém tem dúvida nenhuma de que isto está a se passar neste momento.

(Matt) Pois, ele termina esse artigo, não é, com um paralelo entre o Papa Francisco e o Presidente Obama, o que é bastante perigoso e provocador da parte de um não-tradicional, não é mesmo?

(Chris) Bem, ele elabora a questão de que o Papa foi eleito como um papa da “Esperança e Mudança”. Ele ia ser o Pontífice da “Esperança e Mudança”. Mas em vez disso o que está a acontecer é muita confusão e divisões na comunidade da Igreja. E portanto Thompson conclui que isto sugere uma analogia mais forte do que aquela com Henrique VIII. “Há um outro líder mundial, eleito no meio de grande euforia, que surpreendeu e desapontou os fiéis por parecer desatento e até indefeso em momentos de crise. É péssimo dizer isto, mas podemos estar a ver Jorge Bergoglio transformar-se no Barack Obama”.

(Matt) É inacreditável.

(Chris) O que podemos dizer?

(Matt) E, como já disse, não são os jornalistas tradicionalistas que o dizem. Chris, hoje quero fazer um bocadinho diferente: quero mostrar novamente o contexto, ou talvez só revê-lo. Quero falar só por um minuto e uma última vez da renúncia do Papa Bento XVI. E a razão é porque penso que as pessoas estão a perder de vista essa questão. Quer dizer, quando vemos as coisas inacreditáveis que estão a acontecer em Roma agora mesmo, que ninguém esperava, não só nós, jornalistas como nós, mas também cardeais da Igreja Católica não esperavam o que estamos a ver. Tenha um bocadinho de paciência comigo e vamos falar novamente dessa renúncia, dando ênfase especial ao... lembra-se do “dossier”? Eu estive consigo no Conclave, nós dois estivemos lá. Naquela ocasião, em Roma só se falava de um dossier relacionado com o escândalo “Vatileaks”. O dossier tinha sido criado a pedido do próprio Bento XVI e compilado por 3 cardeais que foram incumbidos de pesquisar o caso. Lembra-se? No Conclave não se falava de outra coisa a não ser o “Vatileaks”, o dossier. A minha pergunta é sobre o tal dossier que revelava a existência de um núcleo homossexual infiltrado nos níveis superiores da Igreja Católica. O que aconteceu com esse dossier?

(Chris) Boa pergunta, muito boa pergunta, porque esse dossier foi o centro do temporal que envolveu Bento XVI e ele renunciou ao papado. E até vimos em vídeo o primeiro encontro do Papa com Francisco, e nos informaram que durante esse encontro o Papa Bento XVI entregou pessoalmente a caixa de documentos a Francisco. Pelos vistos, mostra como o conteúdo desses arquivos era sensível. E lembro-me que o Papa Francisco, após ser eleito, contou que tinha recebido de Bento XVI a caixa de documentos e que tinha ficado pasmado com a excelente memória do papa renunciante. “Ele sabe tudo”, disse: “Mas que inteligência! Tinha tudo memorizado.” E agora, de repente, parece que Francisco esqueceu que a caixa existe!

(Matt) Pois, pois! Não condiz muito bem com a ideia do velho papa caduco e senil, pois não? E agora, pelo que sei, corrija-me se eu estiver errado, isto é tudo o que ouvimos do Papa Francisco até agora, em relação ao “dossier”. Vou citá-lo: “Tem-se falado muito do ‘lóbi gay’, mas eu ainda não encontrei ninguém no Vaticano que tenha ‘gay’ escrito no seu cartão de visitas.” Ah!Ah!Ah!

(Chris) Bem, o assunto fica resolvido então. Quer dizer...

(Matt) Aí está!

(Chris) Desde que não esteja escrito no meu cartão que sou membro da “máfia gay” não é preciso investigar nada, pois não? A ironia da situação é que o Papa nomeou prefeito da Casa Pontifícia do Instituto para as Obras de Religião, e consequentemente suposto prelado do Banco do Vaticano, o núncio Ricca sobre quem existe um volumoso dossier repleto de objeções e protestos sobre sua flagrante conduta homossexual. Este é o homem que o Papa nomeou responsável pelo lugar onde ele próprio vive! Devia mostrar uma fotografia de um dos encontros entre o Papa e o amado atual prefeito da sua própria casa. É inacreditável!

(Matt) Lá isso é.

(Chris) Este homem nem precisa de cartão de membro da “máfia gay”, toda a gente sabe.

(Matt) Lembra-se do nome? Qual era o nome dele? - Paolo Gabriele, o mordomo do papa. Se está lembrado do drama que todos nós vivemos e que levou à resignação, vai recordar-se que o mordomo acabou sendo preso e lembro-me de pensar nisto nessa altura, na Cidade do Vaticano. Após ser detido, Gabriele foi lançado numa espécie de masmorra no Vaticano e os média ficaram mais ou menos do lado do mordomo porque ele não parava de dizer em sua defesa, dizia sem parar: "Eu gosto deste papa! Estou a tentar defender o papa Bento, sempre o servi" e as pessoas ficaram sem saber o que vinha a ser aquilo tudo e deram um voto de solidariedade ao mordomo. Antes de renunciar, Bento acabou por lhe perdoar, lembra-se? Mas isso dá-nos uma idéia de todas as intrigas por detrás da situação relacionadas com a infiltração homossexual da Igreja Católica; e como já dissemos, não só o dossier desapareceu mas agora existe todo este novo discurso sobre a Igreja desde que o Sínodo mudou ou reformou ou relaxou os seus ensinamentos referentes à questão da homossexualidade. Chris, é uma coincidência?

(Chris) Não, não pode ser uma coincidêndia. É uma verdadeira revolução que está a acontecer. Não sei quais são os motivos do Papa, mas sei que o resultado desse Sínodo é uma onda de sentimento revolucionário que os seus defensores dizem agora ser simplesmente incontível! Pense no que disse o cardeal Marx, um membro da “gangue dos oito” do papa. O cardeal Marx afirmou, e cito textualmente o que saíu no Zenit News, “Temos uma procissão que anda três passos para a frente e dois passos... não, melhor ainda, três passos para a frente e dois para trás, ou dois passos para a frente e um para trás. Esta é a procissão que temos na Alemanha”. Ele está a dizer então que o Sínodo está a seguir a procissão ou a revolução progressiva na Alemanha que consiste em dois passos para a frente e um para trás. Sabe qual é a origem desta frase?

(Matt) É de Vladimir Lenine.

(Chris) É do panfleto de Vladimir Lenine, é o título do panfleto que ele escreveu sobre o Congresso do Partido Soviético, o 2º Congresso que se reuniu em 1904, e os dois passos para a frente foram a formação do Partido Comunista; um passo para trás foi a divisão do Partido Comunista em bolchevistas e menchevistas, sendo os bolchevistas a ala radical e os menchevistas a ala – soa-lhe a qualquer coisa que já ouviu antes? - a ala que diz “Mais devagar, mais devagar.” E é o que estamos a ver hoje na Igreja: um partido bolchevista de radicias e um partido menchevista – chamamos-lhes neo-católicos, à falta de melhor termo – que vão aceitando as coisas à medida que acontecem, mas dizem “Mais devagar, mais devagar”. E no fim acabam por aceitar tudo, seja como for.

(Matt) Pois é. Não admira que estejamos a ouvir falar desta ideia de cisma e guerra civil nos mais altos níveis da Igreja.

Nós tinhamos dito que queríamos falar hoje sobre a ideia de Bento XVI finalmente acabar com o seu silêncio e penso que, de facto, é o que está a acontecer. Mas quando ele foi convidado para participar da peregrinação Summorum Pontificum até à Catedral de São Pedro e estar presente na missa tradicional rezada em latim que ia ser celebrada pelo Cardeal Raymond Burke a semana passada, ele disse uma coisa, Chris, em resposta aos líderes, ou organizadores, da peregrinação Summorum Pontificum.

Bento referiu-se a si mesmo como monge enclausurado no Vaticano, e depois disse que só sai, que só pode deixar a sua “cela”, quando o Papa Francisco o convida. Parece estranho ele dizer isso, porque como é exatamente que alguém recusa um convite do Papa? Quando foram tiradas todas aquelas fotos da beatificação de Paulo VI, por exemplo, o Papa Bento foi trazido para fora e deram-lhe a aparente oportunidade de abençoar ou aprovar todo aquele absurdo da beatificação. Desculpe, mas não foi outra coisa senão uma beatificação política e fraudulenta. Ele está a ir de livre vontade, o Papa Bento, ou estará sendo convidado/mandado aprovar estas coisas?

(Chris) Como é que se diz não ao papa? A não ser que se queira fazer um rompimento formal; mesmo assim vemos que, em alguns aspectos, o papa está a indicar um rompimento com o seu sucessor. Tenho aqui no artigo de Damian Thompson que já citei antes, uma passagem muito reveladora. Ele diz, e eu concordo, está a dizer agora que no meio de todo este delírio revolucionário “Ouve-se outra voz. O último papa não morreu nem está senil” – e nesse caso pergunto,mais uma vez, porque é que ele renunciou, afinal? - “nem tão calado como achávamos que ia ficar. No mês passado”, diz Thompson, “Bento XVI escreveu aos ex-anglicanos do ordinariado e expressou a sua satisfação por agora estarem adorando na antiga capela bavária na Warwick Street em Londres; à Universidade Urbana do Pontificado em Roma sobre os perigos do relativismo; e, o mais importante, aos apoiantes da velha liturgia”.

Ouça o que ele diz a respeito da velha liturgia. Escreveu assim: “Dá-me grande satisfação saber que o usus antiquior (a Missa tradicional em Latim) vive agora em plena paz no seio da Igreja, e também entre os jovens, apoiada e celebrada por grandes cardeais.” Ora, tudo isto tem um significado. Primeiro, ele expressa satisfação com o ordinariado. Sabemos que Francisco disse: “Ah, o ordinariado é muito desnecessário”. Ele disse isso a um prelado anglicano: “Vocês deviam permanecer anglicanos. Nós não precisamos do ordinariado para nada.”

(Matt) Qual é aquela frase famosa dele? “Não tencionamos ir pescar no lago anglicano”, ou algo assim, há uns anos.

(Chris) Pois, praticamente o que ele disse foi: “Não faz mal nenhum ser anglicano, nós não precisamos do ordinariato”. Quanto à velha liturgia, ele está muito satisfeito por o usus antiquior estar em plena paz no seio da Igreja. Francisco não parece satisfeito com isso, nem consegue perceber a atração que os jovens têm por ele! Parece achar que é uma moda passageira em que algumas pessoas estão viciadas. Essa é mais outra oposição. Por último, Bento diz: “Grandes cardeais estão a celebrar esta missa.” Sei de dois grandes cardeais que celebram esta missa. Só dois, e não é coincidência, Mike, ambos esses cardeais manifestaram publicamente a sua oposição ao Sínodo de Francisco.

(Matt) Exatamente.

(Chris) Podemos dizer quem são, o Cardeal Pell celebrou a missa tradicional, e ainda celebra, e o cardeal Burke que é um verdadeiro defensor do Summorum Pontificum. Estes são os grandes cardeais a que Bento se referiu. Então, claro, de uma forma muito discreta ele está a declarar que não está nada satisfeito com o caminho que este Pontificado está a seguir.

(Matt) E porque haveria de estar? Quer dizer, estamos todos cientes do facto de que estão a retirar as reformas de Ratzinger e a pôr de volta as de Bugnini. Não estamos a especular sobre quais são os grandes cardeais a que ele se refere. Ele refere-se ao Cardeal Pell e ao Cardeal Burke que estiveram em Roma, na peregrinação Summorum Pontificum e rezaram a missa antiga em Latim. É interessante observar que o Cardeal Pell aproveitou a ocasião para pregar um sermão em que diz: “A Igreja não é edificada sobre a rocha da fé de São Pedro mas no próprio São Pedro, apesar dos seus defeitos e faltas. O Papa Francisco é o 266º papa e a História viu 37 falsos papas ou antipapas.” Pois diga-me, porque é que o Cardeal Pell mencionou os antipapas? Obviamente, ele não acha que Francisco seja um antipapa, mas está tudo uma tal loucura que ele está a tentar acalmar as pessoas.

(Chris) Pois, ele não acha que o Papa seja um antipapa, e nós também não achamos, não estamos a falar dos sedevacantistas. Ele só está a dizer que ao longo da História tivemos 36 ou 37 exemplos dramáticos de, vamos lá dizer, papas péssimos, cujo governo foi um desastre para a Igreja. Portanto, com isso ele quer dizer: “Não fiquem muito aflitos ou perturbados com o que está a acontecer hoje: já aconteceu antes. Temos que, simplesmente, lidar com a situação”.
Agora, sobre a questão de como lidamos com isso, temos um outro bispo, agradavelmente chamado Athanasius Schneider, que é bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria, no Cazaquistão. Vou ler o que ele disse:

(Matt) E que celebrava, a propósito, que celebra, a missa antiga em Latim, penso que todos os dias, ou com certa frequência. Em privado.

(Cris) Hoje ele é provavelmente o bispo mais tradicionalista de todos em toda a esfera eclesiástica, excetuando a Sociedade de São Pio X cujos problemas canónicos são um outro assunto. Mas vou ler o que ele disse e penso que vale a pena citá-lo extensivamente: “Depois, no próprio seio da Igreja, estão aqueles que corroem os ensinamentos de Nosso Senhor” – no próprio seio da Igreja, Mike. “Isso tornou-se óbvio e o mundo inteiro pode ver, graças à internet e ao trabalho de alguns jornalistas católicos que não estão indiferentes ao que está a acontecer à fé católica, a qual eles consideram o tesouro de Cristo".

    E diz mais: “Fiquei satisfeito de ver que alguns jornalistas e bloguistas católicos se portaram como bons soldados de Cristo e chamaram a atenção para o plano clerical de corroer os ensinamentos perenes de Nosso Senhor. Cardeais, bispos, sacerdotes, famílias católicas, jovens católicos têm que dizer a si mesmos:” – e agora o que ele diz é importantíssimo – “eu recuso agir de acordo com o espírito neo-pagão deste mundo, mesmo quando esse espírito é disseminado por alguns bispos e cardeais. Não aceitarei o uso fraudulento e perverso da Sagrada Divina Misericórdia e de um novo Pentecostes. Recuso deitar grãos de incenso diante da imagem do ídolo da ideologia de gênero, diante do ídolo do segundo casamento e do concubinato, MESMO QUE o meu bispo faça isso.” Fim da citação. Absolutamente impressionante! Ele refere-se, evidentemente, ao Sínodo. E nós ligámos o resto dos pontos. É o Sínodo de Francisco.

(Matt) Pois, pois.

(Cris) Façam o que quiserem com isto, podem prudentemente querer evitar dizer estas coisas se estiverem numa posição em que seria imprudente dizê-las, mas se alguém for um agente livre, um membro da Igreja com o direito de falar, tem a obrigação de mencionar o óbvio e de se aconselhar com outras pessoas, de se consolarem mutuamente e verem como vão lidar com a situação.

(Matt) Chris, volte um pouquinho atrás e leia novamente aquele trecho, ou destaque-o para nós, sobre os bloguistas e jornalistas. Ou seja, temos agora o Cardeal Marx reconhecendo em entrevista aquilo que já dissemos várias vezes neste programa, que os parágrafos polémicos no Relatio são de Francisco e que Francisco quis incluí-los. Então, o Cardeal Marx diz que isso é o projetinho especial de Francisco, ele quis incluí-los. E agora Athanasius Schneider está a agradecer aos jornalistas e bloguistas por se levantarem e objetarem a esses parágrafos extremamente problemáticos nos documentos do Sínodo. E ponto final, não é? Quanto a não criticar o papa, pelo amor de Deus, se nós a esta altura não reconhecermos a realidade só estaremos a desafiar a razão e a lógica, não passaremos de uns tolos e estaremos a brincar de faz-de-conta!  [32 erros]

(Chris) Pois é, eu concordo. E se, dada a posição da pessoa, digamos que é um membro da hierarquia ou um sacerdote de uma paróquia, for mais apropriado criticar os ministros do papa do que criticar o próprio papa, criticar os ministros do rei em vez do próprio rei, aqueles de nós que podemos fazer isso, leigos que não têm um superior eclesiástico com que se preocuparem, não só têm o direito mas, a meu ver, têm a obrigação de falar abertamente sobre o que o papa está a fazer e se opor. E é um absurdo, é indecente, que qualquer comentarista católico leigo sugira que, se ele não quiser fazer isso, quando outros o fazem, diga que é um pecado e lhes chame inimigos da Igreja. Estou a pensar num certo apostolado católico em que um dos argumentistas está a ficar cada vez mais incompreensível neste aspeto. Primeiro dizia que não se pode criticar o Papa; agora diz que Pat Archbald e aqueles que estão certos como Pat Archbald podem criticar o Papa, mas que o Remnant e o Catholic Family News não podem porque essa pessoa não gosta do que eles dizem. Onde estão os princípios em tudo isto? Não existem. Não passa de ressentimento da parte desse sujeito bastante grosseiro com cujo nome não vou incomodar os espectadores. Mas penso que todos nós já sabemos de quem se trata. Portanto, acho ótimo que o Bispo tenha dito que os jornalistas e bloguistas católicos que colocam no ar abertamente estes debates e aconselham outros católicos a não pactuarem com esta loucura estão agindo como, volto a citá-lo, “bons soldados de Cristo”. Foi o juramento que fizemos quando fomos crismados. Nós assumimos o compromisso de seremos soldados de Cristo. Será que às vezes somos culpados de excessos retóricos, em nosso zelo pela fé? Claro que somos! Pedimos desculpas quando acontece? Claro que pedimos! Mas vamos ficar em silêncio sobre o que está a acontecer na Igreja? De maneira nenhuma!

(Matt) Pois é, estou a ficar tão cansado de toda esta confusão! Será que as pessoas não percebem onde estamos? A semana passada na igreja escutei o sermão de um excelente padre. Parecia que estava a escutar Edmund Campion durante o governo da rainha Isabel I. Ele disse: “É esta a altura! Este é o momento! A única segurança que têm é apegarem-se, é armarem-se com as tradições católicas. E” – estou a parafrasear, mas chega perto do que ele disse – “se o que ouvirem, mesmo nos mais altos níveis da Igreja, estiver em conflito com a tradição católica, têm a obrigação, de acordo com São Tomás, de se levantarem e oporem-se”. Quer dizer, é o que os Católicos têm que fazer em tempos assim. Nós aclamamos os grandes santos que se levantaram e se opuseram em tempos passados quando a Fé foi ameaçada pelos que tinham autoridade; tem que acontecer agora, temos a obrigação de fazê-lo e, na minha opinião, as pessoas que estão a atirar ovos em nós por fazermos isso são os “idiotas úteis” da revolução. Desculpem o termo, mas aplica-se neste caso.

(Chris) Não estão a fazer favor nenhum à Igreja nem a si mesmos nem aos outros católicos. Até o John Allen entendeu! Allen escreveu um artigo há pouco tempo intitulado “O Papa Francisco tem uma lista de inimigos?” Isto é o que Allen está a dizer e a perguntar. Ele escreve: “Atualmente, muitos conservadores e tradicionalistas católicos perguntam se o Pontífice não terá uma lista particular de inimigos.” E depois menciona três bispos que são frequentemente alvo de visitas apostólicas; dois deles foram retirados, ou estão prestes a ser retirados. Temos o Bispo Livieres Plano, o Bispo Robert Finn e o Bispo Mario Oliveri da diocese de Albenga, na Itália. Ele fala sobre o que outros observaram: “Muitos observadores não podem deixar de perceber que estes três prelados têm uma coisa óbvia em comum: cada um deles está entre os membros mais conservadores de suas respectivas conferências episcopais.” É claro, existem problemas nas dioceses destes bispos, existem problemas em praticamente todas as dioceses católicas. Existe o problema da infiltração homossexual em praticamente todas as dioceses católicas. O Papa não agiu contra todas as outras dioceses, ele tem visado três dos bispos mais conservadores do mundo para visitas apostólicas, e um deles já foi retirado. Allen até cita Marco Tosatti, um dos vaticanistas mais respeitados, sugerindo que “Esta aplicação de medidas duras é a vanguarda”, segundo Allen, “de uma ‘caça às bruxas’ mais ampla” – foi o que Tosatti disse, “descrita como”, estou a citar Tosatti, “uma guerra interna sendo travada em nome do Papa”. Allen conclui seguidamente com esta afirmação bastante provocadora: “O perigo”, diz ele, “é que uma boa parte da Igreja pode chegar à conclusão de que se o Papa os vê como inimigos, não existe razão nenhuma para eles não o verem da mesma forma.” Até John Allen está a escrever assim. Temos um problema nas mãos. É inútil negar.

(Matt) Não, não, é isso mesmo! Sabe, recentemente recebi um mail de um amigo em que ele me dizia: "Deve ser bastante interessante para os tradicionalistas serem exonerados porque, evidentemente, vocês estão a ser completamente exonerados”. Eu respondi: “A exoneração não me interessa. Eu quero a minha Igreja de volta. Tenho sete filhos que preciso criar nesta Igreja e como é que vou fazer isso? Eu quero um papa em quem possa confiar.” O problema é que chegamos a um momento crítico, não que nós jornalistas e comentadores possamos mudar isto, mas pelo amor de Deus, pelo menos temos que tentar, temos que nos levantar e tentar fazer alguma coisa sobre o fato de que a Santa Madre Igreja foi infiltrada, que ocorreu um golpe de estado. É visível a todos, acho que agora até o Papa Bento sabe o que está a acontecer e, delicadamente e à sua maneira académica, está a tentar intervir e fazer algo.

(Chris) O Cardeal Burke falou bem, e é mais uma declaração de proporções históricas quando disse que muitos dos fiéis o têm procurado para expressar a sensação de que dá a sensação de que estão duas coisas a acontecer, disse ele. Uma é que a Igreja está agora sem leme. A outra, disse, é que parece que estamos a tentar criar a Igreja a partir do nada, como se não houvesse caminho. Burke, que tecnicamente ainda preside à Signatura Apostólica, ou suponho que talvez já tenha sido oficialmente removido. O que ele disse quando tecnicamente ainda era presidente da Signatura Apostólica foi isto: “Parece que a Igreja está sem leme e que está a ser criada de novo por estes revolucionários que agem como se os ensinamentos anteriores da Igreja não existissem!” Até mesmo os ensinamentos de João Paulo II! Há trinta e três anos em Familiaris Consortio. É a rapidez com que este processo tem acelarado. [22:46]

(Matt) Pois é, as coisas estão-se a desmoronar. O Cardeal Burke também disse que os fiéis estão a ficar enjoados. O que é muito importante que as pessoas compreendam é que Burke é um príncipe da Igreja e que a colegialidade há 50 anos que ata as mãos dos príncipes da Igreja. Portanto, quando um cardeal do nível do Cardeal Burke diz as coisas que ele tem dito, é preciso ler um pouco nas entrelinhas. Este homem está aterrorizado, não só com o que está a acontecer com o governo da Igreja mas também com o que vai acontecer com as almas como resultado; não existe outra razão para um homem santo e dedicado aos seus deveres como príncipe da Igreja, como é caso do Cardeal Burke, ele não teria qualquer outro motivo, ele não diria estas coisas se não estivesse muito mais preocupado, como indicam as suas declarações utltimamente.

(Chris) Pois, eu penso que aquilo que o Bispo Athanasius Schneider diz, e esse nome não podia ser mais apropriado porque o único bispo corajoso na época da heresia Ariana, chamava-se Athanasius também, acho que é impossível enfatizar demais esse paralelo, mas o que ele diz é a verdade sem tirar nem pôr, que os leigos católicos têm que fazer uma verdadeira tempestade de protestos. Eles têm que dizer: “Isto não pode passar”; mesmo que isso signifique dizer ao Papa: “O seu Sínodo é um desastre. Tem que pará-lo”. Temos que levantar. através de cada bloguista católico, cada jornalista católico, cada sítio web católico no planeta um protesto unido contra a direção em que este papa, lamento dizer, parece determinado a levar a Igreja. Temos essa obrigação!

(Matt) Pois é, temos essa obrigação. E para terminar, Chris, vamos dizer umas duas cosinhas; estamos quase sem tempo. Sabe, às vezes as pessoas pensam que o que estamos a fazer aqui no Remnant é polémico. Eu nem sempre quero me envolver em polémicas mas, diga-se a verdade, em parte é assim que ganhamos o nosso pão; e dizem: “Vocês são duros com os bloguistas, são duros com alguns bloguistas mais neo-católicos.” Não somos, Chris. O tempo está a esgotar-se. O que queremos é  enfrentar os inimigos da Igreja, mas não podemos porque pessoas que de facto são sujeitos decentes, neo-católicos, criticam constantemente esforços como aqueles que Athanasius Scheneider elogia os bloguistas e jornalistas por fazerem. Precisamos de nos unir em torno disto, e não seria fantástico, seria MARAVILHOSO, se pudéssemos nos reunir com todos esses bloguistas, todos esses neo-católicos e dizer: “Olhem, deixem as suas guerrinhas, deixem essa mentalidade de disputas internas. JUNTEM-SE A NÓS! Precisamos de mais gente, precisamos de ir à luta e tentar fazer a diferença na nossa época”, mas em vez disso temos que recorrer a isto, que parece ser uma polémica tola contra pessoas que partilham a nossa fé, e é lamentável.

(Chris) Pois, e as pessoas incomodam-se com o termo neo-católico, mas acho que é uma descrição muito necessária. Vou dar-lhe um exemplo concreto usando o que acabou de dizer. Outro dia, um deles veio falar comigo e disse: “É maravilhoso que Elton John goste tanto do Papa Francisco porque isso o predispõe a tornar-se católico.” Mas que pura idiotice! Ele não ama a Igreja! Ele ama o que Francisco diz que parece contradizer o que a Igreja sempre ensinou. Ele ama a pessoa de Mario Bergoglio, que agora é o Papa Francisco, devido ao que ele diz em prejuízo do Magistério da Igreja. E este sujeito, que tem um blogue bem conhecido, está a fazer um estrago imenso ao legitimar este acontecimento absurdo. Um dos maiores homossexuais do mundo que se dispôs a casar com um homem e que impôs a crianças inocentes o horror de adotá-las, louvando o Papa Francisco. E ele acha que é maravilhoso! Este é o problema que temos nas mãos. É precisamente por isto que chamar-lhes neo-católicos é a única maneira de descrevê-los. Se não é um novo tipo de catolicismo, não sei o que será.

(Matt) Pois, é isso mesmo. É isso mesmo. Ficam a elogiá-lo, fazem parecer uma coisa boa quando Elton John faz isso, e na mesma semana você, eu e John Vennari fomos todos publicamente apelidados de “inimigos da Igreja Católica” por um outro sítio Web supostamente tradicionalista. Quer dizer, eu não diria isso de ninguém, não diria dos sedevacantistas nem dos neo-católicos. “Inimigos da Igreja Católica”! É uma afirmação muito forte! E, contudo, é o que está a acontecer e só mostra a mordacidade que foi reservada para a Sociedade de São Pio X, para pessoas como as do Remnant e do Catholic Family News. E porquê? Porque estamos a resistir, Chris. É por isso que, na minha opinião, este ataque à Sociedade São Pio X tem muito pouco a ver com a sua postura canónica e muito mais a ver com obedecer às ordens daqueles que hoje estão em posições de poder e que querem silenciar toda a oposição. É o que se passa com a Sociedade de São Pio X. No mundo neo-católico ninguém se importa se eles têm a postura canónica certa. “Estou chocado! Estou escandalizado!” Não! É só que foram de alguma forma mauseados para se oporem à resistência, para se oporem à contra-revolução católica. Nem sei o que pensar disto. Porque está a acontecer?

(Chris) Essa sempre foi a função desse círculo dentro da Igreja, e não estou a julgar nem a objetar a essa posição. De facto, no livro “The Great Façade” que escrevi em 2002, eu disse que muitas das pessoas nesse círculo, nesse círculo revolucionado e reformado da Igreja a quem temos chamado neo-Católicos, são católicos de boa fé, e a fé de muitos deles ultrapassa a fé de muitos tradicionalistas a quem chama tradicionalistas antipáticos.

(Matt) É verdade.

(Chris) Essa não é a ideia do termo neo-católico. A ideia é arranjar uma descrição objetiva para características de pensamento que têm sido muito prejudiciais à Igreja sem necessariamente julgar os católicos normais sentados nos bancos. E, repito, não estamos a lidar com uma coisa nova na Igreja, com uma nova forma de catolicismo que agora é favorável aos gays, favorável aos divorciados e aos casados pela segunda vez que vivem em estado de adultério público, favorável às concubinas, como vimos no Sínodo. Se isso não é a coisa nova a que podemos chamar neo-catolicismo, então nada poderá ser. E dizer que estamos a enfrentar este fenómeno, este fenómeno neo-católico que ligitima a revolução, não é condenar a disposição subjetiva de ninguém nem expulsar ninguém da Igreja. Nós nunca fazemos isso, mas eles fazem-no a nós e esse é outro aspecto do termo que foi cunhado. É um designativo defensivo. Com ele dizemos que estamos fartíssimos de sermos chamados tradicionalistas extremistas por essas pessoas que são, efetivamente, os neo-conservadores do Catolicismo Romano que acham que são conservadores e que, de forma subjetiva podem ser completamente inocentes de qualquer ofensa contra a Igreja mas que agem de maneiras prejudiciais à Igreja por abraçarem esta coisa totalmente nova que, tão óbviamente, está a acabar connosco.

(Matt) Isso mesmo. E não somos só nós dois, não somos os únicos a dizer isto. Se pensar bem no que o Cardeal Burke está a dizer sobre o... vamos deixar o Papa de fora por um minuto. Ele refere-se aos bispos e cardeais no ápice da Igreja Católica, ou seja, no nível mais alto. Esses bispos e cardeais têm à sua responsabilidade dioceses, padres, milhões de pessoas que estão a ouvir esta mensagem. E o que foi essa mensagem em relação ao adultério e uniões homossexuais, se isso não é neo-catolicismo, o que raios será? Sabe? E o Cardeal Burke está a chamar a atenção para isso.  [29:52]

(Chris) Penso que seria apropriado terminarmos o programa com esta ideia porque agora este cículo, estes comentadores e a esfera neo-católica têm um sério problema nas mãos. Vão começar a condenar o Cardeal Burke? Vão começar a condenar o cardeal Pell? Vão condenar o Bispo Athanasius Schneider? Vão condenar os Pats Archbalds e outros personagens conhecidos que estão a dizer: “Isto já foi demasiado longe!”? Como é que as pessoas vão fazer a distinção entre nós e esses críticos da chamada corrente dominante que inclui pelo menos dois cardeais que o Papa emérito denominou “grandes cardeais”? O que vão fazer agora? Das duas uma: vão começar a atirar cardeais e bispos para debaixo do combóio juntamente connosco, ou então admitem que talvez tenhamos razão sobre o que está a acontecer.

(Matt) Não, é isso mesmo, Chris. Vamos finalizar a nossa matéria e terminar com um convite a todas as pessoas, à vasta massa de pessoas medianas que está a ser fortemente influenciada por “bloguistas neo-católicos”. Se lermos os comentários que aparecem ultimamente no final de artigos escritos pelos principais bloguistas, bloguistas neo-católicos, metade das vezes são dirigidos ao próprio bloguista sobre o que ele acabou de postar, porque as pessoas vêem o problema. Muitas pessoas estão a ver o problema. Acho que podemos finalizar o programa falando diretamente para essas pessoas. Vocês são nossos irmãos católicos, são nossos irmãos e irmãs em Cristo. Estamos numa crise. Os tradicionalistas não querem vos ostracizar, nós queremos reuni-los a nós, queremos que nos ajudem. Vamos todos ficar juntos, fazer as nossas orações e assumir a postura que precisa de ser assumida. Sabe, Chris, eu acho que, quando pensamos bem, existem muitas dessas pessoas - "neo-católicos", entre aspas – porque elas não conhecem outra coisa, mas agora podem ver que algo está terrivelmente errado.

(Chris) É hora de acordar. O Remnant não é o problema, o Catholic Family News não é o problema, os tradicionalistas radicais não são o problema, a Sociedade de São Pio X não é o problema. O problema está em Roma. A não ser que acordemos para essa realidade, como cardeais e agora até o Bispo Athanasius Schneider têm feito, nós não vamos conseguir fazer face à crise na Igreja. Não tenho mais nada a dizer.

(Matt) Muito bem falado. E vamos terminar com essa ideia. Continuaremos na próxima semana. Muito obrigado. Foi muito bom estar com vocês, apesar de todos os problemas. Voltaremos a nos falar em breve.

(Chris) Deus te abençoe, Mike.


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